Despedida do Pe Victor Trevisan, um padre de muita fé

Biografia do Padre Victor Trevisan e testemunho sobre sua vida na Comunidade dos Padres de Schoenstatt

Dia 07 de novembro de 2019 Padre Victor Trevisan foi enterrado no Cemitério dos Padres que se encontra atrás do santuário. A missa de corpo presente foi na Paróquia Nossa Senhora da Conceição. A comunidade dos padres de Schoenstatt estava presente e representantes da família de Schoenstatt.

 

Um Padre de bom humor e muita fé

Padre Antonio Bracht testemunha seu convívio com o Padre Victor:

 “Padre Victor era a calma em pessoa, nada tirava ele do sério, uma pessoa que vivia de bom humor. Fazia piadinhas, participava do ambiente, sempre positivo.  

Admirava nele sua entrega e identificação com os padres de Schoenstatt com a comunidade, com a Mãe de Deus. Ele sempre procurou promover nas nossas casas a vinculação ao Sião,  ao Santuário, através da capela da casa,  sempre falava da “Promessa feita aos padres”

Era da primeira geração, se consideravam filhos dessa promessa, uma promessa do Primeiro fundador Vicente Pallotti, que a comunidade seria abençoada e também do Padre Kentenich fundador da nossa comunidade e do movimento de Schoenstatt que assumiu essa promessa. Sempre repetia que a comunidade seria abençoada, Padre Victor vivia dessa promessa!

Muitas vezes constatava que a comunidade era frágil, era pequena, mas que Deus a tinha escolhido, por isso seria abençoada, não por força poderosa mas por que tinha confiança e fé nessa promessa e nesse Deus da nossa vida.

Característica forte da vida do Pe Victor, sempre otimista, sempre confiante na ação na Mãe de Deus.  Este é meu Testemunho na convivência com ele como padre de Schoenstatt. Ele foi   superior e diretor regional do movimento, sempre com essa calma, e sempre com tanta fé e bom humor que deixava à vontade as pessoas no convite que fazia para a missão e de colaborar com a Mãe”.

 

Biografia do Pe. Victor Trevisan (30.09.1926 - 05.11.2019)

Membro do Curso: “Sicut Pastor” (Assim como o Pastor), do Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt.

Pe. Victor Trevisan nasceu no dia 30 de setembro de 1926, na cidade de Santa Maria/RS. Filho de César e Maria Helena Rorato Trevisan, que tiveram 11 filhos. Iniciou muito cedo a sua caminhada para o sacerdócio, junto aos Padres Palotinos. Fez seus estudos secundários em Vale Vêneto/RS; a Filosofia e a Teologia no seminário maior, em São João do Polêsine/RS. 

Ordenou-se sacerdote, em 21 de dezembro de 1952, em Nova Palma/RS. Inicialmente, exerceu seu ministério em diversas paróquias. Depois, passou a desempenhar o cargo de Mestre de Noviços, na Sciedade dos palotinos. Foi professor e orientador espiritual, no Seminário Menor dos Palotinos, em Vale Vêneto/RS e lecionou também em Escola Normal.

Por ocasião da fundação do Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt, no Brasil, em 1966, optou pelo ingresso na Nova Comunidade. Dela, tornou-se o Superior Delegado, por três períodos subsequentes, na sede em Jaraguá, São Paulo. 

Fez a licenciatura em Pedagogia e Orientação Educacional e lecionou, por dois anos, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 

Sua relação com o Pe. José Kentenich

No dia 22 de março de1947, encontrou-se, pela primeira vez, com o Pe. José Kentenich, que havia chegado a Santa Maria/RS, em sua primeira viagem ao nosso país, em 18 de março de 1947.

Em 22 de ,março de 1947, o Pe. Kentenich visitou São João do Polêsine/RS, onde o Pe. Victor estava cursando o segundo ano de filosofia. Diz Pe. Victor: “Após o jantar, deu-nos uma conferência, em latim.”

No dia 08 de dezembro de 1948, Pe. Victor fez sua primeira consagração à MTA.

Em 02 de janeiro de 1949, renovou essa Consagração no Santuário de Santa Maria, na presença do Pe. José Kentenich.

De 25 a 31 de janeiro de 1949, participou do primeiro retiro, que pregou Pe. José Kentenich aos estudantes de filosofia, em São João do Polêsine, cujo tema foi: “Sacerdote Apocalíptico”.

De 09 a 15 de dezembro de 1949, participou do retiro que o Pe. Kentenich pregou, em Santa Maria, com o tema: “Sacerdote Palotino Perfeito”, como preparação à beatificação de Vicente Pallotti.

Em abril de 1951, participou, em São João do Polêsine, de um curso de dois dias pregado pelo Pe. José Kentenich, sobre a pedagogia de Schoenstatt.

De 09 a 12 de abril de 1951, participou de um curso sobre Mariologia, pregado pelo Pe. Kentenich, na casa de retiros, em Santa Maria.

De 14 de fevereiro a 10 de março de 1952, participou do “Terciado de Santa Maria”, pregado pelo Pe. José Kentenich, em alemão. (Uma Irmã de Maria traduzia tudo).

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Em 1965, Pe. Victor deixou de trabalhar como orientador espiritual e professor, no Seminário Menor de Vale Vêneto, para entrar na recém fundada, comunidade dos Padres de Schoenstatt.

O Pe. Victor conta sobre sua despedida dos palotinos: “No dia 11 de agosto de 1965, inesperadamente, antes de partir do seminário, toda a comunidade fez-me uma solene despedida, no salão de festas. Estiveram presentes diversos superiores, inclusive o reitor. Recebi sinceros elogios, que bem demonstraram o quanto estavam satisfeitos com a minha atuação. Todos os cursos deramme algo. Tudo foi muito expressivo, nas palavras, nos cânticos e nos toques de orquestra. O padre reitor falou, comovido, dizendo que se tratava de uma vocação, portanto, que eu a seguisse. Agradeceu-me por tudo o que fizera pelo seminário e seminaristas, desejou-me felicidades e deixoume as portas abertas.

Falei, nessa despedida, abordando o tema da fidelidade à vocação, a um ideal, que já há 20 anos vinha amadurecendo dentro de mim. Portanto, não estava dando um passo às tontas. Agradeci ao superior por suas palavras e procurei salientar o que mais me chamara a atenção nele, como nos outros padres. O clima era de silêncio e comoção geral. Terminei, exortando todos à fidelidade à sua vocação, custasse o que custasse. O Pe. Remígio Milanesi contou-me, mais tarde, que a minha saída foi sentida por todos. Segundo o costume, à noite, punham música. Disse-me ele que na noite da despedida, puseram música de saudade e despedida.”

“No dia 15 de agosto de 1966, entreguei ao padre provincial, Bernardino Trevisan, em Faxinal do Soturno/RS, meu pedido de egresso da S.A.C (Sociedade do Apostlado Católico -  Palotinos). No dia 17 de setembro de 1966, recebi do Superior Geral, Pe. Guilherme Moehler, a licença para procurar um Bispo benévolo (que me incardinasse em sua diocese). No dia 18 de novembro de 1966, escrevi ao Sr. Cardeal de São Paulo, Dom Agnelo Rossi, solicitando a caridade da incardinação em sua arquidiocese; no dia 2 de dezembro do mesmo ano, recebia da Cúria Metropolitana uma resposta positiva. No dia 26 de janeiro de 1967, rogava à Sagrada Congregação dos Religiosos a dispensa da promessa (palotina), recebendo resposta positiva no dia 28 de fevereiro de 1967.”

No dia 26 de fevereiro de 1967, Pe. Victor chegava em Jaraguá, São Paulo, na sede da Nova Comunidade (Padres de Schoenstatt), para logo depois iniciar o primeiro terciado, sob os cuidados dos Pe. Alex Menningen e Pe. Humberto Anwandter.

Dia 31 de maio de 1967, fez a solene incorporação ao novo Instituto dos Padres de Schoenstatt.

Dia 24 de dezembro de 1967, Pe. Victor chegava em Schoenstatt, pela primeira vez, acompanhado do Pe. Antônio Maria Borges, que nessa época era estudante no Instituto dos Padres de Schoenstatt.

Dia 20 de janeiro de 1968, todos os Padres de Schoenstatt reuniram-se, com o Pe. Kentenich, no Santuário do Berg Schoenstatt, para uma cerimônia importante: alguns deles renovariam, diante do Fundador, sua adesão ao Instituto.

No início de 1968, Pe. Victor e o estudante se encontraram com o Pe. José Kentenich e, na despedida, este deu-lhes uma caixinha de bombons para cada um.

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Em 1968, participou da fundação do Círculo da Adoração, no Santuário do Instituto das Senhoras de Schoenstatt, um ato presidido pelo Pe. José Kentenich.

No dia 20 de setembro de 1968, participou da cerimônia de sepultamento do fundador da Obra de Schoenstatt, Pe. José Kentenich.

Retornando ao Brasil, continuou a dedicar-se incansavelmente para a consolidação de seu Instituto e atuou também a serviço dos Ramos do Movimento Apostólico de Schoenstatt. 

No dia 28 de maio de 1992, foi nomeado, pela Presidência Nacional da Obra de Schoenstatt, como o 1º Postulador da Causa de Beatificação do Diácono João Luiz Pozzobon, função que ocupou até o dia 11 de março de 2002. 

O Pe. Victor Trevisan foi uma pessoa de temperamento calmo, tranquilo, mas com muita alegria de viver. Deixou-nos o testemunho de uma vida inteira consagrada a Deus e a seu Reino. Que sua entrega sacerdotal seja semente de muitas e boas vocações para o instituto dos Padres de Schoenstatt e para toda a Igreja. 

Sua enfermidade

Em 2002, apareceram alguns sinais da doença de Alzheimer, que progrediu rapidamente. Tendo agravado o seu estado de saúde, em 2008, foi hospitalizado e passou a ter cuidados especiais na enfermaria da casa dos padres palotinos idosos, em Santa Maria. A eles, nós os padres de Schoenstatt, somos profundamente agradecidos.

Publicações do Pe. Victor Trevisan:

1.“Biografia Padre Máximo Trevisan”, 1979; 2.“Movimento Apostólico de Schoenstatt-uma introdução histórica”, 1986 com 2 volumes; 3.“João Luiz Pozzobon, um “Santo” com tempera de missionário leigo?”, 1992; 4. “João Luiz Pozzobon e o 31 de Maio” 1999; 5.”A família de Cezar e Maria Helena Trevisan”, 2005.

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Biografia dos Padres de Schoenstatt

Fotos: Círculo de Sião (santuário)

Arquivo dos Padres de Schoensatt ( Foto com Pe Kentenich)

Testemunho Pe Antonio Bracht ( 07/11/2019)

 

Amex Assessoria