Papa: alívio oferecido por Jesus não é apenas psicológico ou esmola

O Papa Francisco realizou a oração do Angelus neste 14º Domingo Do Tempo Comum na Praça São Pedro, explicando as três partes do Santo Evangelho.

Neste primeiro domingo do mês, 5 de julho,14º Domingo Do Tempo Comum, o Papa Francisco realizou a oração mariana do Angelus na Praça São Pedro aos fiéis e peregrinos presentes. Realizando a leitura do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus (Mt 11,25-30), o Santo Padre propôs uma reflexão em sua alocução que precedeu a oração do Angelus.

De acordo com Francisco, o trecho evangélico deste domingo articula-se em três partes: Jesus elevando o hino de bênção e ação de graças ao Pai, depois o manifesto de sua relação mais íntima e única entre ele e o Pai e, por fim, o convite a estarmos com Ele e segui-Lo para encontrar alívio.

Detalhando as partes do Santo Evangelho, Francisco explicou detalhadamente as ações de Jesus. “Em primeiro lugar, Jesus louva o Pai, porque escondeu os segredos do seu Reino, da sua Verdade, escondidos «aos sábios e aos entendidos». Chama-os assim com um véu de ironia, porque presumem ser sábios, entendidos e por isso têm o coração fechado, tantas vezes. A verdadeira sabedoria vem também do coração, não é somente entender ideias. A verdadeira sabedoria também entra no coração. E se tu sabes tantas coisas e tens o coração fechado, tu não és sábio. Jesus fala sobre os mistérios do seu Pai revelando-os aos «pequeninos», àqueles que confiantemente se abrem à sua Palavra de salvação, abrem o coração à Palavra da salvação, sentem necessidade d'Ele e esperam tudo d'Ele. O coração aberto e confiante em relação ao Senhor”, falou.

De acordo com o Pontífice, tendo Jesus chamado Deus de “meu Pai”, afirma a singularidade da relação entre eles, pois, de fato, só entre Filho e o Pai existe reciprocidade total: um conhece o outro, um vive no outro. Mas, continuou Francisco, esta comunhão única é como uma flor que desabrocha, para revelar gratuitamente a sua beleza e bondade. E assim, Jesus faz o convite: «Vinde a mim...». Ele quer dar o que provém do Pai: Verdade. A Verdade de Jesus é sempre gratuita, é um dom, é o Espírito Santo, a Verdade. 

Tal como o Pai tem preferência pelos «pequeninos», assim chamados no Evangelho, também Jesus se dirige aos «cansados e aos oprimidos». Com efeito, Ele coloca-se entre eles, porque é «manso e humilde de coração»: diz para ser assim. Como na primeira e terceira bem-aventuranças, a dos humildes ou pobres de espírito; e a dos mansos: a mansidão de Jesus.

O Papa explicou que assim, Jesus, «manso e humilde», não é um modelo para os resignados nem simplesmente uma vítima, mas é o Homem que vive «de coração» esta condição em plena transparência ao amor do Pai, ou seja, ao Espírito Santo. Ele é o modelo dos “pobres em espírito” e de todos os outros “bem-aventurados” do Evangelho, que fazem a vontade de Deus e dão testemunho do seu Reino.

Por fim, explicando a terceira parte, a do convite de estarmos com Ele, o Pontífice ressaltou que Jesus diz que se formos até ele encontraremos alívio. Para o Santo Padre, o “alívio” que Cristo oferece aos cansados e oprimidos não é apenas psicológico ou esmola, mas a alegria dos pobres de serem evangelizados e construtores da nova humanidade: este é o alívio. A alegria. A alegria que nos dá Jesus. É única. É a alegria que ele mesmo tem.

Continuando sua reflexão, Francisco falou sobre como o mundo exalta aqueles que se tornam ricos e poderosos e, assim, uma missão importante da Igreja. “É uma mensagem para todos nós, para todas as pessoas de boa vontade, que Jesus transmite ainda hoje no mundo que exalta aqueles que se tornam ricos e poderosos. Mas, quantas vezes dizemos: ‘Ah, eu gostaria de ser como aquele, como aquela, que é rico, tem tanto poder, não lhe falta nada’. O mundo exalta o rico e o poderoso, não importa com que meios, e por vezes espezinha a pessoa humana e a sua dignidade. E nós vemos isso todos os dias, os pobres espezinhados. E é uma mensagem para a Igreja, chamada a viver obras de misericórdia e a evangelizar os pobres, ser mansos, humildes. Assim o Senhor quer que seja a sua Igreja, isto é, nós”, disse.

Finalizando sua alocução, como de costume, Francisco fez uma oração à Nossa Senhora, mãe de Jesus. “Maria, a mais humilde e nobre das criaturas, implore de Deus a sabedoria do coração – a sabedoria do coração - para nós, para que possamos discernir os seus sinais na nossa vida e participar daqueles mistérios que, escondidos aos soberbos, são revelados aos humildes”.

Amex Assessoria
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