Papa Francisco pede que nunca se dialogue com o diabo

"Se nós entrarmos em diálogo com o diabo, seremos derrotados", disse o Papa Francisco em sua alocução deste primeiro Domingo da Quaresma, 21.

Este primeiro Domingo da Quaresma conduziu o Papa Francisco à reflexão do Evangelho do Dia, que evoca os temas da tentação e da conversão, através do “ambiente natural e simbólico” do deserto. Com o rito penitencial das cinzas na última quarta-feira (17), iniciou-se o caminho da Quaresma. Neste primeiro Domingo (21), a Palavra de Deus é quem conduz para viver melhor “os 40 dias que conduzem à celebração anual da Páscoa”.

O ambiente simbólico do deserto

O Papa, através do Evangelista Marcos (cf. 1,12-15), comentou sobre o caminho percorrido por Jesus quando "o Espírito o levou para o deserto" (v. 12), se retirando durante 40 dias por lá, “onde foi tentado por Satanás”.

Para Francisco, o deserto é um ambiente natural e simbólico, tão importante na Bíblia. “O deserto é o lugar onde Deus fala ao coração do homem, e onde brota a resposta da oração, ou seja, o deserto da solidão, o coração separado de outras coisas e, somente naquela solidão, se abre à Palavra de Deus. Mas, é também o lugar da provação e da tentação, onde o Tentador, aproveitando a fragilidade e as necessidades humanas, insinua a sua voz mentirosa, uma alternativa àquela de Deus, uma voz alternativa que te mostra outro caminho, um outro caminho de engano. O Tentador seduz”, disse.

Francisco continuou dizendo que, na verdade, durante os 40 dias vividos por Jesus no deserto, “começa o ‘duelo' entre Jesus e o diabo”, que terminará com a Paixão e a Cruz. De acordo com o Pontífice, todo o ministério de Cristo é uma luta contra o Maligno nas suas muitas manifestações: curas de doenças, exorcismos sobre os possuídos, perdão dos pecados. “Jesus, ao agir com o poder de Deus, parece que o diabo tem a vantagem, quando o Filho de Deus é rejeitado, abandonado e, finalmente, capturado e condenado à morte. Mas, não, porque a morte era o último ‘deserto’ para se atravessar, para derrotar definitivamente Satanás e libertar todos nós do seu poder”, sublinhou o Santo Padre.

A vitória de todos nós sobre o mal

Francisco recordou que, todos os anos, no início da Quaresma, o Evangelho das tentações de Jesus no deserto nos lembra que a vida do cristão, nos passos do Senhor, é uma batalha contra o espírito do mal. Em tempo, o Papa sugeriu que fizéssemos como Jesus, que enfrentou e venceu o tentador. “Devemos estar conscientes da presença deste inimigo astuto, interessado na nossa condenação eterna, no nosso fracasso, e nos prepararmos para nos defender dele e combatê-lo. Nas tentações, Jesus nunca dialoga com o diabo. Nunca.”, enfatizou o Papa.

Em sua alocução, o Papa Francisco enfatizou que Jesus nunca fez um diálogo com o diabo. “Na sua vida, Jesus nunca fez um diálogo com o diabo, nunca. Ou o afasta dos possuídos, ou o condena, ou mostra a sua malícia, mas nunca um diálogo. E, no deserto, parece que há um diálogo, porque o diabo faz três propostas e Jesus responde. Mas, Jesus não responde com as suas palavras. Responde com a Palavra de Deus, com três passagens da Escritura. E isso é para todos nós. Quando o sedutor se aproxima, ele começa a nos seduzir: 'mas pense isto, faça aquilo...', a tentação é de dialogar com ele, como fez Eva. Eva disse: 'mas não se pode porque nós...', e entrou em diálogo. E se nós entrarmos em diálogo com o diabo, seremos derrotados. Coloque isso na cabeça e no coração: com o diabo nunca se dialoga, não há diálogo possível. Somente a Palavra de Deus”.

Nunca dialogar com o diabo

Francisco finalizou a sua reflexão encorajando a todos, neste tempo de Quaresma, a seguir o Espírito Santo, como Jesus fez, e entrar no deserto “sem medo”.

“Não se trata - como vimos - de um lugar físico, mas de uma dimensão existencial para ficar em silêncio, escutar a Palavra de Deus, para que a verdadeira conversão se realize em nós. Não tenham medo do deserto, procurem por momentos de mais oração, de silêncio, de entrar em nós mesmos. Não tenham medo. Somos chamados a percorrer os caminhos de Deus, renovando as promessas do nosso Batismo: renunciar a Satanás, a todas as suas obras e a todas as suas seduções. O inimigo está ali, agachado, tenham cuidado. Mas, nunca dialoguem com ele.”]

Fonte: Amex, com Vatican News.

Amex Assessoria
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