Papa no Angelus: Jesus convida à generosidade desinteressada

O Papa Francisco destacou em sua alocução do Angelus, na Praça São Pedro, neste domingo (1), a generosidade humilde, que não espera nada em troca, indicada por Jesus Cristo

O Papa Francisco começou o Angelus deste domingo desculpando-se pelo atraso, explicando ter ficado 25 minutos preso no elevador do Palácio Apostólico. Na ocasião, o Pontífice destacou em sua alocução a generosidade desinteressada e a humildade indicada por Jesus.

Antes de iniciar a introdução da oração mariana do dia 1 de setembro, Francisco pediu um aplauso para os bombeiros. “Eu tenho que me desculpar com vocês, fiquei trancado no elevador por 25 minutos, houve uma queda de tensão. Mas, então, o corpo de bombeiros veio me tirar”.

Dando continuação ao momento, a reflexão do Santo Padre foi inspirada no Evangelho de São Lucas, que narra a presença de Jesus em um banquete na casa de um chefe dos fariseus. “Jesus olha e observa como os convidados correm, se apressam para conseguir os primeiros lugares”, disse o Papa.

Afirmar superioridade sobre os outros

Francisco observou que, ainda em nossos dias, este também é um comportamento bastante difundido e não somente quando se é convidado para um almoço, por exemplo, mas “habitualmente, busca-se o primeiro lugar para afirmar uma suposta superioridade sobre os outros”.

Comportamento prejudicial à comunidade

Francisco enunciou que essa corrida pela busca dos primeiros lugares faz mal à comunidade, quer ela civil como eclesial, porque destrói a fraternidade. “Todos conhecemos estas pessoas: galgadores, que sempre se agarram para subir, subir.  Fazem mal à fraternidade, prejudicam a fraternidade”.

Diante da cena citada, o Papa Francisco recordou que Jesus contou duas breves parábolas sobre esse comportamento. A primeira sendo dirigida a uma pessoa convidada para um banquete, e é advertida para não ocupar o primeiro lugar, sob o risco de ser convidada pelo dono da festa a cedê-lo para outra pessoa e ocupar o último lugar, o que seria uma vergonha.

Escolher o último lugar

“Em vez disso, Jesus nos ensina a ter a atitude oposta, a sentar-se no último lugar: ‘Portanto, não devemos buscar por iniciativa própria a atenção e a consideração de outros, mas sim deixar que sejam os outros a dá-la’”, recordou o Santo Padre.

Francisco ressaltou que Jesus sempre mostra o caminho da humildade. “Jesus nos mostra sempre o caminho da humildade, devemos aprender o caminho da humildade! Porque é o mais autêntico, o que também permite ter relações autênticas. A verdadeira humildade, não a humildade fingida, aquela que no Piemonte se chama a “mugna quacia”, não, aquela não. A verdadeira humildade”.

A generosidade humilde é cristã

Francisco continuou refletindo sobre a segunda parábola. Jesus se dirige ao dono da festa, sugerindo que na escolha dos convidados, chame os “pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Então, tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir”.

O Papa observou a promessa divina feita por Jesus nesta segunda parábola: “Também aqui, Jesus vai completamente contracorrente, manifestando como sempre a lógica de Deus Pai. E, também, acrescenta a chave para interpretar esse seu discurso. E, qual é a chave? Uma promessa: se fizeres assim, ‘receberás a recompensa na ressurreição dos justos’. Isso significa que aquele que assim se comportar, terá a recompensa divina, muito superior à retribuição humana que se espera: eu te faço esse favor esperando que tu me faças outro. Não, isso não é cristão. A generosidade humilde é cristã”.

 Jesus convida à generosidade desinteressada

O Santo Padre observou que a retribuição humana altera o real significado da generosidade. “Geralmente [essa generosidade], distorce os relacionamentos, os torna comerciais, introduzindo o interesse pessoal em uma relação que deveria ser generosa e gratuita”.

De acordo com o Pontífice, Jesus, por sua vez, convida à generosidade desinteressada, para abrir-nos o caminho em direção a uma alegria muito maior, a alegria de ser partícipes do próprio amor de Deus que nos espera, todos nós, no banquete celeste.

Francisco concluiu o Angelus fazendo um pedido especial à Virgem Maria. “Nos ajude a reconhecer-nos como somos, isto é, pequenos; e a nos alegrarmos em dar, sem esperar recompensa”.

Amex Assessoria