Papa no Angelus: para viver de Jesus, é preciso sair de si mesmo

Na conclusão da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-amazônica, neste domingo, 27, Francisco rezou o Angelus com os fiéis

Após a Missa de encerramento da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-amazônica, neste domingo, 27, o Papa Francisco rezou o Angelus com os fiéis e peregrinos na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração mariana, o Santo Padre observou que a Primeira Leitura, do livro do Eclesiástico, recordou o ponto de partida do Sínodo: “a oração do pobre que «atravessa as nuvens», pois «Deus escuta a oração do oprimido».  O grito dos pobres, junto ao grito da terra, veio da Amazônia”.

“Depois dessas três semanas, não podemos fazer de conta de não tê-lo ouvido. As vozes dos pobres e a de tantos outros dentro e fora da Assembleia sinodal, pastores, jovens e cientistas nos impelem a não permanecer indiferentes. Ouvimos muitas vezes a frase ‘depois é tarde demais’: esta frase não pode permanecer um slogan”, acrescentou.

Sintetizando o Sínodo, Francisco declarou que “foi, como diz a palavra, um caminhar juntos, revigorados pela coragem e pelo consolo que vem do Senhor. Caminhamos, olhando-nos nos olhos e ouvindo-nos, com sinceridade, sem esconder as dificuldades, experimentando a beleza de caminhar unidos, para servir”.

O Papa sublinhou ainda que, na Segunda Leitura, “o apóstolo Paulo incentiva a isso: num momento dramático para ele, pois sabe que está para ser oferecido em sacrifício, ou seja, justiçado, e que chegou o momento de deixar esta vida, escreve naquele momento: «O Senhor esteve a meu lado e me deu forças. Ele fez com que o Evangelho fosse anunciado por mim integralmente e ouvido por todas as nações». Eis o último desejo de Paulo: não algo para si ou para alguns dos seus, mas para o Evangelho, para que seja anunciado a todos os povos. Isso vem antes de tudo e conta acima de tudo”.

“Cada um de nós já se perguntou muitas vezes o que fazer de bom para a própria vida. Hoje é o momento. Perguntemo-nos: O que eu posso fazer de bom pelo Evangelho?”, continuou o Pontífice. “No Sínodo, nos fizemos essa pergunta com o desejo de abrir novas estradas ao anúncio do Evangelho. Anuncia-se somente o que se vive. Para viver de Jesus, para viver do Evangelho, é preciso sair de si mesmo”, disse.

Nesse sentido, ele frisou que, então, as pessoas sentem-se “impelidas a decolar” para “penetrar nas águas profundas”: “não nas águas pantanosas das ideologias, mas no mar aberto, onde o Espírito nos convida a lançar as redes”.

Por fim, Francisco convidou os fiéis a invocar a Virgem Maria, para o caminho que virá, “venerada e amada como Rainha da Amazônia”. Segundo ele, Maria adquiriu esse título não como conquistadora, mas inculturando-se. ”Com a coragem humilde de mãe, tornou-se a protetora de seus filhos, a defesa dos oprimidos. Sempre indo à cultura dos povos: não há uma cultura padrão, não há uma cultura pura que purifique os outros. Existe o Evangelho, puro, que se incultura. A Ela, que cuidou de Jesus na casa pobre de Nazaré, confiamos os filhos mais pobres de nossa Casa comum”, concluiu o Papa.

Amex Assessoria