Na missa deste domingo, 21 de setembro de 2025 no Santuário Sião, celebrada pelo Pe. Vandemir Meister recordou a primeira leitura (Am 8,4-7), que remonta a cerca de 500 anos antes de Cristo. O profeta já chamava a atenção da liderança do povo: havia quem aproveitasse os sábados para alterar as medidas da balança e, no dia seguinte, aplicar injustamente sobre os compradores; quem manipulasse o trigo para vender o resto aos pobres e, assim, aproveitar-se deles, explorando-os com o dinheiro dos fracos. Já se chamava a atenção daqueles que tinham o poder, mas não o utilizavam para o bem comum, e sim em proveito próprio. O profeta dirigia-se aos administradores de Israel — que hoje podemos comparar aos nossos políticos — que usavam o poder para explorar um povo já explorado.
Dando um salto para a época de Jesus, refletimos como era a vida dos pobres naquele tempo. A noção de conforto, pobreza, riqueza e felicidade varia notavelmente ao longo dos séculos e de lugar para lugar. Aquilo que se chamava de pobreza na época de 600 anos antes de Cristo era diferente do tempo de Jesus, assim como é diferente dos nossos dias. No tempo de Jesus, por exemplo, possuir uma roupa colorida era símbolo de riqueza, pois a maioria das roupas era em tons crus, cinzas, sem cor. De acordo com a época, variavam os sinais de riqueza e também de felicidade.
Hoje, os pobres de nossa realidade poderiam ser considerados ricos em comparação aos da época de Jesus. Todos nós, hoje, temos acesso à formação, à alfabetização, à caligrafia, aos remédios… Jesus não afirma que ter dinheiro é pecado. O pecado está no apego ao dinheiro e às coisas materiais. É esse apego que distancia o coração de Deus. Pode-se ser “podre de rico” — no superlativo — mas, diante de Deus, ser uma pessoa santa e nobre, se vive a pobreza espiritual, se sabe administrar o material e manter uma relação de vínculo com Ele.
Os bens materiais são fundamentais para a existência. Precisam ser administrados com sabedoria, pois são dons da criação e também frutos do trabalho humano. Devem ser cuidados santamente, pois estão a serviço da vida e da santidade. A pergunta que deve ser feita é: o teu dinheiro te ajuda a crescer na santidade ou não? Cada um deve responder em sua condição — como pai, mãe, filho, filha, trabalhador. O dinheiro que ganho me ajuda a crescer na santidade da vida diária, no meu estilo de vida? Se administro bem o bem material, sou amigo de Deus, do dinheiro e dos pobres — e isso leva ao céu. Mas se sou apenas amigo do dinheiro e não dos pobres, isso não conduz ao céu.
E quem são os pobres? Somos todos nós. Riqueza e pobreza não são absolutas, dependem do contexto e da época. A segunda leitura (1Tm 2,1-8) pede que os governantes conduzam o povo para uma vida tranquila. Os bens materiais podem, sim, dar tranquilidade. Mas qual é a medida da tranquilidade? O ser humano nunca se sacia: quanto mais tem, mais deseja ter. Essa busca pode ser positiva, mas é preciso a sabedoria da santidade para que o crescimento do patrimônio econômico não escravize a pessoa.
Deus nos concede 24 horas por dia: oito para dormir, oito para o trabalho e oito para a dimensão lúdica. É preciso refletir: como estamos aproveitando nosso dia a dia? Não devemos esperar a aposentadoria para buscar felicidade; a vida segue, e a felicidade deve ser construída diariamente. Deus nos dá a vida em pequenas gotas, e quem sabe administrar esses momentos vai edificando sua felicidade dia após dia.
O padre recordou também que, em julho deste ano, o diácono João Luiz Pozzobon foi declarado Venerável pela Igreja. Isso significa que todas as suas obras foram reconhecidas como exemplo para toda a Igreja universal. Ao ser declarado venerável, sua vida não é mais questionada: é um modelo de santidade. Pozzobon, sempre chamado de “pobre diácono”, vivia a simplicidade, mesmo sendo um homem de bens, e deixou testemunho de santidade.
Embora se declarasse pobre, Pozzobon não era pobre materialmente: foi empreendedor, adquiriu terrenos, caminhões — algo raro para sua época — e trabalhou com muito esforço. Em determinado momento da vida, distribuiu em vida os bens para os filhos, inclusive a própria casa, afirmando que tudo vinha de Deus e, portanto, deveria ser partilhado.
Esse gesto mostra seu estilo de santidade: correu atrás do patrimônio, batalhou, trabalhou sem preguiça, adquiriu bens e, ao final, distribuiu-os para alcançar o céu. Sua vida é um exemplo de que pobreza e riqueza são conceitos relativos, mas por trás deles deve estar sempre o empenho e o esforço de cada um para ser criador.
Cada pessoa é chamada a ser criadora em seu trabalho: quando há dedicação honesta, há fruto abençoado. Quando se buscam atalhos e enganos, o resultado não vem. Não é a lei que vigia, mas Deus. Ele vê nossas lágrimas, nosso esforço e também nos cobrará quando não formos virtuosos, quando ultrapassarmos as medidas, enganando o próximo.
Por isso, São Paulo pede para rezarmos pelos que nos governam (1Tm 2,1-8), pois sempre haverá administradores, e precisamos que eles tenham sabedoria para agir pelo bem comum. Da mesma forma, como o profeta Amós (Am 8,4-7), devemos também nós ser voz profética em nossos tempos, pedindo que o patrimônio seja cuidado como dom de Deus para todos.
Nossos representantes não estão lá para fazer favores pessoais, mas para trabalhar pelo bem comum, pela comunidade. Esse é o caminho da santidade: viver bem o vínculo com os bens materiais e, ao mesmo tempo, manter o vínculo com Deus.
Leituras do dia
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1ª Leitura: Am 8,4-7
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Salmo: Sl 112(113)
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2ª Leitura: 1Tm 2,1-8
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Evangelho: Lc 16,1-13
Texto retirado da homilia do dia por Sueli Vilarinho

