Quarta-feira de Cinzas – Início da Quaresma

Nesta Quarta-feira de Cinzas 18 de fevereiro de 2026 , a Santa Missa foi celebrada pelo Padre Gustavo, com a presença, no altar, dos seminaristas Lucas Botassio e Davi Vilarinho. A celebração marcou o início do caminho quaresmal, um tempo forte de conversão, oração e retorno ao essencial da fé.

Em sua homilia, o padre iniciou destacando que a energia deste dia é muito concreta. Por isso, a homilia precisa ser breve: o símbolo central da celebração — a imposição das cinzas — pede espaço e silêncio interior para que cada fiel possa acolher esse sinal simples, porém profundamente pessoal. As cinzas nos lembram que aquilo que vamos celebrar não é algo superficial, mas um caminho profundo, sério e verdadeiro.

Todo começo de caminho nos provoca uma pergunta fundamental: aonde esse caminho nos leva? A Quaresma é exatamente esse início, e a resposta é muito clara: ela nos conduz ao mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. É um tempo de refletir, de fazer penitência, de jejuar, de nos aproximarmos mais do Senhor e de prepararmos o coração para viver o mistério pascal.

O padre recordou uma reflexão muito bonita de um santo que, ao escrever de dentro de uma cela, se perguntava: “Para onde eu vou fazer esse caminho?” E ele mesmo respondia: é um caminho interior. Um caminho que precisa ser percorrido dentro dos rincões mais profundos da alma, onde Deus habita, onde Ele ama profundamente e onde pede, com delicadeza e firmeza, a nossa conversão.

Esse caminho interior da Quaresma é um grande desafio. Os sinais externos nos ajudam muito: as propostas quaresmais, o jejum, a abstinência, as práticas penitenciais. Tudo isso nos orienta, nos educa e nos mostra o caminho por onde Deus vem ao nosso encontro. Mas quando se trata de um caminho interior, vivido a sós com o Senhor, onde só nós conhecemos os lugares que precisamos alcançar, tudo se torna mais difícil e mais exigente.

É na solidão da oração, no silêncio, que somos chamados a nos encontrar verdadeiramente com Deus. E isso não nos afasta da comunidade, pelo contrário: quanto mais profunda é a vida interior, mais verdadeiro se torna o viver comunitário. Preparar a Quaresma é também preparar-se para celebrar bem como comunidade. Uma comunidade que busca a santidade é sinal de que deseja viver em fidelidade ao Senhor.

A primeira leitura do dia, do profeta Joel, nos chama a viver este tempo como um tempo de retorno sincero ao Senhor, de rasgar o coração e não as vestes. Somos convidados a pedir perdão a Deus com sinceridade, reconhecendo nossa fragilidade e nossa constante necessidade de conversão. E esse pedido de perdão se estende também aos irmãos e irmãs, por situações concretas, por atitudes, palavras e omissões que feriram relações e quebraram alianças.

O caminho do perdão é um caminho bonito e libertador. Ele nos reconecta com Deus, com os outros e conosco mesmos. É um caminho que cura, que restaura relações e que transforma também a forma como nos relacionamos dentro das nossas famílias e gerações.

Na segunda leitura, São Paulo nos lembra que somos embaixadores de Cristo e nos faz um forte apelo: “Reconciliai-vos com Deus.” Ele afirma com clareza: este é o tempo favorável, o tempo da graça. É o momento de voltar a selar a aliança com Deus, aquela aliança profunda que fizemos no dia do nosso Batismo, e que tantas vezes foi enfraquecida ou quebrada.

É também um tempo de selar novamente uma aliança conosco mesmos, assumindo conscientemente esse caminho com o Senhor, decidindo caminhar com Ele, mesmo em meio às lutas e fragilidades.

O Evangelho do dia nos provoca com perguntas muito diretas: será que rezamos apenas para sermos vistos? Será que fazemos caridade para receber reconhecimento? Jesus nos convida a viver tudo isso na verdade do coração. A oração, o jejum e a esmola só têm sentido quando brotam de um coração sincero, vivido no cotidiano, nas pequenas obras de misericórdia, nas atitudes simples do dia a dia.

Encerrando a homilia, o padre retomou o convite inicial: viver esses 40 dias como um caminho interior que nos leva a Jesus, vivido pessoalmente, mas também sustentado pela comunidade. Para que, ao final da Quaresma, possamos proclamar com fé e alegria, no dia da Páscoa: Ele ressuscitou! Ele realmente ressuscitou!

Como exemplo, o padre recordou uma experiência simples e profunda vivida com crianças: cada uma escreveu a palavra “Aleluia” em um papel, que depois foi colocado em uma caixinha e enterrado. Durante o tempo da Quaresma, ficaram sem o Aleluia, para que a alegria da Páscoa fosse ainda mais intensa. Um gesto simples que nos ensina que a abstinência e o jejum nos ajudam a valorizar aquilo que celebramos.

Assim também em nossas vidas: há coisas das quais precisamos nos abster, outras das quais precisamos jejuar, para celebrar melhor a vida nova que o Senhor nos oferece.

Por fim, o padre recordou o lema proposto para este ano: “Ele veio habitar no meio de nós.” Um convite a refletir sobre as moradas, sobre o espaço que damos a Deus em nossa vida interior, sobre como cuidamos dos lugares santos e, sobretudo, sobre como permitimos que o Senhor habite verdadeiramente em nós.

A Quaresma é esse caminho conhecido, que dura quarenta dias, mas que precisa ser vivido com intensidade, em comunidade, para que sejamos fortalecidos na fé. E assim, ao chegarmos à Páscoa, possamos dizer com o coração preparado: “Nós nos preparamos para Te receber, Senhor. Tu és a nossa vida e permaneces conosco.”


Leituras do Dia – Quarta-feira de Cinzas

  • 1ª Leitura: Joel 2,12-18
  • Salmo: Salmo 50 (51)
  • 2ª Leitura: 2 Coríntios 5,20 – 6,2
  • Evangelho: Mateus 6,1-6.16-18