A Santa Missa de Páscoa celebrada no Santuário Sião Jaraguá, presidida pelo reitor Gustavo Hanna Crespo, foi marcada por uma profunda reflexão sobre a experiência do encontro com o Ressuscitado e a transformação que esse encontro provoca na vida dos discípulos. Ao final da celebração, um gesto concreto reforçou a vivência da fé: foram entregues às crianças bolachas com chocolate com temas do Tríduo Pascal e da Páscoa, incentivando os pais a continuarem em casa a catequese vivida nesses dias tão centrais da fé cristã.

Na homilia, o padre iniciou com uma imagem simples e cotidiana, falando de um assalto na casa dos padres e da surpresa ao encontrar tudo “fora do lugar”. A “bagunça”, repetida em suas palavras, tornou-se uma chave de leitura para o Evangelho da Ressurreição. Assim como alguém que entra em um ambiente e estranha o que está diferente, também os discípulos, ao chegarem ao túmulo, percebem que algo não está como antes — mas não se trata de desordem sem sentido, e sim de sinais.

Ele destacou que Maria Madalena e os discípulos viram o túmulo vazio, mas foi um detalhe que fez toda a diferença: os panos e o sudário cuidadosamente colocados. Esse pequeno sinal abriu os olhos da fé para compreender que “não roubaram o corpo, Ele ressuscitou”. Deus se revela também nos detalhes, naquilo que, à primeira vista, poderia passar despercebido.

Em seguida, o padre partilhou uma experiência pessoal: certa madrugada, ao ouvir barulhos na cozinha, foi tomado pelo susto e pelo medo, até descobrir que era alguém conhecido preparando café antes de uma viagem. O que antes causava temor transformou-se em alívio e alegria ao reconhecer a presença de alguém familiar. Essa experiência foi comparada ao encontro com Cristo Ressuscitado: primeiro vem o medo, a dúvida, a incerteza — mas depois, quando se reconhece o Senhor, nasce uma profunda alegria que preenche o coração.

A partir disso, ele ressaltou que a Ressurreição é justamente essa passagem: da frustração para a esperança, da tristeza para a alegria eterna. Durante todo o Tempo Pascal, somos convidados a contemplar os diversos encontros de Jesus com seus discípulos, nos quais, pouco a pouco, “o véu vai caindo” e a fé se fortalece na certeza de que “verdadeiramente o Senhor ressuscitou”.

O padre também percorreu diferentes atitudes dos discípulos, mostrando que cada um vive o encontro com o Ressuscitado de maneira própria:
há momentos em que esperamos, como Pedro, alguém que confirme nossa fé;
outros em que, como João, intuímos e acreditamos;
ou ainda quando, como Maria Madalena, choramos sem reconhecer o Senhor ao nosso lado;
ou mesmo quando, como Tomé, duvidamos e queremos provas concretas.

Mas, em todos esses caminhos, permanece uma verdade: todos são chamados ao encontro com o Ressuscitado.

Ao refletir sobre as leituras, destacou o testemunho de Pedro que anuncia com coragem: aquele que foi morto, ressuscitou. E lembrou que Jesus “passou a vida inteira fazendo o bem”, convidando também cada cristão a renovar esse compromisso. A Ressurreição reacende no coração o desejo de fazer o bem, de viver como discípulo missionário, mesmo diante das dificuldades.

Por fim, o padre convidou toda a comunidade a viver intensamente os 50 dias do Tempo Pascal, buscando as “coisas do alto”, como ensina São Paulo, e permitindo que Cristo habite e permaneça no coração. O grande apelo foi para que cada fiel possa reconhecer os sinais da Ressurreição na própria vida, deixando que o coração, antes fechado, se torne espaço da presença viva de Deus.

Assim, a celebração da Páscoa no Santuário tornou-se não apenas memória de um acontecimento, mas um chamado concreto: encontrar o Ressuscitado, deixar-se transformar por Ele e testemunhar, com a própria vida, que a vida venceu a morte.