Santa Missa – 2º Domingo da Páscoa (Domingo da Divina Misericórdia)
12 de abril de 2026 – Santuário Sião Jaraguá
A Santa Missa deste domingo foi celebrada pelo Padre Vandemir Meister, com a concelebração do Padre Frederich, vindo da Argentina, que permanecerá no Brasil por três anos trabalhando com o Terço dos Homens em Olinda.
Em sua homilia, o padre destacou que a missa é, antes de tudo, um momento de encontro e diálogo profundo com Deus, um verdadeiro “coração do diálogo”. É nesse encontro que o fiel se abre para receber aquilo que transforma a vida concreta, levando para o dia a dia aquilo que foi vivido na celebração.
Ao refletir sobre as leituras, especialmente o Evangelho, ele fez um paralelo entre a comunidade nascente do cristianismo e a nossa realidade atual. Após a Ressurreição, os discípulos não estavam fortes e confiantes, mas sim fechados, com medo, angustiados e até envergonhados. É justamente nesse cenário que Jesus aparece.
E o primeiro gesto de Cristo não é de cobrança, mas de misericórdia. Ele não chega acusando, mas proclamando: “A paz esteja convosco”. O padre explicou o profundo significado dessa saudação, recordando que o “shalom” não é apenas ausência de conflitos, mas o desejo de que o outro receba toda a plenitude dos bens de Deus, espirituais e materiais.
Assim, Jesus revela que sua presença é de acolhimento e reconciliação, mesmo diante das fraquezas humanas. Ele entra no meio dos discípulos com braços abertos, oferecendo paz, encorajamento e uma nova missão.
Por isso, a Igreja celebra neste dia o Domingo da Divina Misericórdia, pois Cristo vem ao encontro de cada pessoa em suas feridas, medos e inseguranças, trazendo cura e esperança.
O padre também destacou que muitas vezes nós, dentro da própria Igreja, nos perdemos em coisas secundárias — estruturas, detalhes, opiniões — e esquecemos o essencial: a misericórdia de Deus. É ela que deve ser o centro da vida cristã e da missão da Igreja.
Ao soprar o Espírito Santo sobre os discípulos, Jesus os envia ao mundo com uma missão clara: levar o perdão e a misericórdia. Não uma mensagem de condenação, mas de reconciliação. A Igreja, portanto, existe para ser sinal desse amor misericordioso.
Outro ponto forte da homilia foi a reflexão sobre o apóstolo São Tomé Apóstolo. Muitas vezes rotulado apenas como “incrédulo”, Tomé, na verdade, representa cada um de nós em nossas dúvidas e feridas. Ele deseja tocar as chagas de Cristo, quer uma experiência concreta.
E Jesus vai ao seu encontro, respeitando seu tempo e sua dor. Ao ver o Senhor, Tomé faz uma das mais belas profissões de fé: “Meu Senhor e meu Deus!”. Assim, o padre ressaltou que também nós somos chamados a fazer esse caminho: sair da dúvida para a fé, da desconfiança para a entrega.
A homilia se encerrou com uma forte reflexão sobre o amor misericordioso de Deus, ilustrada por uma história de reconciliação entre pai e filho. Mesmo diante do erro, da distância e da dor, o pai permanece com o coração aberto, esperando o retorno do filho — imagem clara do Deus que nunca deixa de nos acolher.
Por fim, o padre convidou todos a abrirem o coração para essa experiência: deixar-se alcançar pela misericórdia divina, superar o medo e a dureza do coração, e confiar que Deus sempre está de braços abertos, pronto para acolher, perdoar e renovar a vida.
______________
Texto retirado da homilia do dia por Sueli Vilarinho

