Neste domingo, 28 de setembro, no Santuário Sião Jaraguá, a Santa Missa foi presidida pelo Pe. Gustavo Hanna Crespo, reitor do Santuário. Em sua homilia, destacou que os “abismos” que nos afastam de Deus e das pessoas só podem ser superados pela vivência da fé, da caridade e da misericórdia. O padre ressaltou ainda a importância do perdão como ponte que reconstrói relações humanas e nos conduz ao verdadeiro caminho de união com Deus.
Nós começamos a liturgia escutando um Evangelho muito duro, muito difícil de escutar. Evangelho que nos coloca frente ao tema das obras de misericórdia e da prática do bem que nós somos chamados a realizar. Essa frase logo depois da morte do rico e de Lázaro (Lc 16,19-31) pra mim é uma das frases mais difíceis de escutar e mais duras que existe no Evangelho: “existe um abismo muito grande entre nós e vós” (Lc 16,26). Esse abismo, para que vos passe isso daí nós passar sair de cá, esse abismo entre a imagem de Jesus do Lázaro e do rico são os abismos que nós vamos fazendo na nossa vida, na falta da prática da fé, da caridade e da misericórdia. Esse abismo só é superado muitas vezes para que cheguemos ao céu pelas práticas da misericórdia, pela vivência profunda da fé. Essas três coisas nos fazem superar os abismos que nos afastam de Deus, que nos fazem criar pontes que nos levem até Deus. Esse é o caminho que somos fazer: caminhos que nos unam a Deus, que nos levem para Deus, que não nos afastem, que não nos tornem esses abismos.
Como é difícil quando vemos as relações humanas também tendo esses abismos, essas relações que muitas vezes se tornam situações em que a prática da misericórdia, a prática da caridade e acreditar no dom que o outro tem… abismos. Às vezes falamos: há um abismo muito grande entre nós, entre eu e uma pessoa. Provavelmente aqui nós já nos decepcionamos em alguma relação, porque quebrou a confiança, porque nós não fomos escutados, porque o outro não agiu com misericórdia mas agiu com dureza, porque o outro não agiu com caridade mas com ódio. E tentamos dizer: aqui já não tem mais solução, já existe um abismo nesta relação que não pode ser superado.
Meus irmãos e irmãs, nós precisamos chegar ao limite para tentarmos nos reconciliar, não só no leito da morte. As relações podem ser reconstruídas, as relações humanas podem ser reconstruídas, trabalhar com caridade. E tem uma palavrinha que faz com que esse abismo que muitas vezes nos afasta de Deus nós possamos superar: a graça do perdão.
Lucas depois do capítulo 15 (Lc 15) sempre vai voltar para o tema da misericórdia, do perdão. Aprender a perdoar e aprender a pedir perdão ajuda com que os abismos da nossa vida sejam superados, ajuda com que a ponte que nós estabelecemos dia a dia com Deus esteja sempre construída, e nas relações humanas também.
E agora posso perguntar: quem acha que é difícil pedir perdão? Porque estamos convencidos que a nossa verdade é a última, e a gente não coloca nossa verdade confrontada com a verdade do Evangelho, confrontada com aquilo que nos faz chegar próximo de Deus. E São Paulo sempre vai fazer das suas cartas um grande itinerário da fé: praticar o bem, professar a fé, combater o bom combate (2Tm 4,7). Às vezes estamos combatendo combates que não estão realmente próximos daquilo que Deus nos pede.
E muitas vezes, nas nossas relações de pedir perdão, a gente tem que reconhecer a nossa falha. Isso é muito difícil, porque somos frágeis, limitados, e por isso nos custa pedir perdão. Mas nós, quando levamos a pedir perdão, acontece um milagre de transformação na vida dos dois. Assim somos pequenos vasos de cristal, vasos transparentes.
O Evangelho então nos chama a não estarmos acomodados com as coisas da vida, mas sempre estarmos um pouquinho incomodados com aquilo que não pertence a Deus, com aquilo que não faz parte das obras de Deus. E estar incomodados pela missão é o primeiro passo que nos faz mover para transformar a nossa própria vida, o primeiro passo que nos faz a fazer obras de misericórdia, não pelo medo, mas pelo que nós queremos fazer desse Reino: o Reino onde todos possam estar unidos, não pela culpa de não fazerem ou pelo medo do inferno, mas porque realmente nós acreditamos que a ponte está vir a se dar com Deus pela fé, pela misericórdia e caridade. É o que somos chamados a viver.
E não esperar depois do sofrimento que nós passamos pedir para o Senhor ir lá para alertar os vivos. Jesus ainda disse: “Eles têm Moisés e os profetas; nem que alguém ressuscitasse iriam acreditar” (Lc 16,31). Somos chamados a fazer com que todos nós, assim como queremos abrir o nosso coração à graça de Deus para viver tal como Ele nos pediu, façamos com que as pessoas abram os corações para a graça do Senhor através das boas obras, através do testemunho da nossa fé, da nossa caridade e da nossa misericórdia.
Texto retirado da homilia do dia por Sueli Vilarinho
Leituras do dia
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1ª Leitura: Am 6,1a.4-7
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Salmo: Sl 145(146)
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2ª Leitura: 1Tm 6,11-16
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Evangelho: Lc 16,19-31

