1º Domingo da Quaresma

No Primeiro Domingo da Quaresma, a Santa Missa foi celebrada pelo Padre Gustavo, com a concelebração do Padre Antônio Bracht. Estavam também no altar dois seminaristas que, nesta semana, retornam para o Burundi, encerrando seu período de missão entre nós.

Em sua homilia, o Padre Gustavo iniciou recordando a primeira leitura do Livro do Gênesis, destacando que ela pertence ao que chamamos de segunda versão do relato da criação. No livro do Gênesis, existem dois relatos distintos da criação: o primeiro, no capítulo 1, que começa com “No princípio…”, descrevendo a ação criadora de Deus sobre toda a realidade; e o segundo, no capítulo 2, que é o que escutamos neste domingo, vindo de uma tradição diferente e com outro enfoque.

Esse segundo relato procura explicar a origem do ser humano e também a origem do mal. É nele que surge a grande pergunta: se Deus criou tudo bom, onde começou o erro? Onde teve início o pecado? Por isso, o texto coloca o ser humano no centro da criação, como obra perfeita de Deus, criado à sua imagem e semelhança, chamado a viver em plena comunhão e aliança com o Criador.

Ao escutarmos o relato da tentação, imediatamente pensamos no que chamamos de pecado original. A homilia destacou o modo como a serpente age: ela não começa negando tudo o que Deus deu, mas explorando a carência. “Tu tens tudo, mas te falta uma coisa”, sugere ela. É esse sentimento de falta, mesmo em meio à abundância, que abre espaço para a tentação.

O Padre Gustavo recordou como isso se repete em nossa vida cotidiana. Muitas vezes temos tudo o que é necessário, mas surge a sensação de que falta “algo a mais”. E, pouco a pouco, aquilo que parecia pequeno começa a ocupar o coração, tornando-se desejo e, depois, centro da vida. Não se trata aqui de carências reais de sobrevivência, mas do desejo de possuir aquilo que não nos pertence ou não faz parte do nosso caminho. Para saciar essas falsas carências, acabamos, muitas vezes, recorrendo a meios que não são justos nem corretos.

A segunda leitura recorda que por um só homem o pecado entrou no mundo, mas também que por um só homem veio a salvação. Trata-se da realidade humana como um todo. Aquilo que Adão desobedeceu, Cristo veio restaurar pela obediência; aquilo que Eva desobedeceu, Maria respondeu com fidelidade. Em Jesus, nasce o homem novo, e nele toda a humanidade é chamada à salvação.

Viver vinculados a Cristo significa viver em obediência à vontade de Deus, escutando sua Palavra e permanecendo numa aliança que é eterna. Essa aliança é pessoal, feita com cada batizado, mas também comunitária, vivida por todos os que desejam seguir Jesus.

No Evangelho das tentações, o Padre destacou especialmente a segunda tentação, quando o tentador utiliza a própria Palavra de Deus para confundir Jesus. Trata-se do perigo das meias-verdades: algo que contém aparência de verdade, mas cuja intenção não é o bem. As meias-verdades são grandes armadilhas do mundo de hoje, pois confundem, não libertam e nos afastam do discernimento verdadeiro. Por isso, os fins não justificam os meios.

A Quaresma nos chama a viver atentos, sustentados pela oração, pela penitência e pela caridade. Sem essas práticas, nosso discernimento se enfraquece. O Evangelho, porém, termina de forma profundamente consoladora: depois das tentações, os anjos vieram servir a Jesus.

Isso nos lembra que seguir Deus não significa nunca ser tentado, mas ter a certeza de que jamais estaremos desamparados. As provações fazem parte do caminho, muitas vezes vivido no deserto, na solidão e no silêncio. Mas Deus permanece presente, cuidando, sustentando e fortalecendo depois de cada provação.

Concluindo, rezemos para que o Senhor nos conceda a graça da obediência à sua Palavra, da fidelidade à aliança e de um coração vigilante, capaz de viver plenamente este caminho quaresmal.

Palavra de Despedida do Pe Antonio Bracht

Minha palavra é, acima de tudo, uma palavra de gratidão.
Foram três anos de missão aqui, depois de ter passado dez anos fora, na faculdade. Quando retornei e assumi essa tarefa, sabia que o trabalho no movimento, especialmente com a Liga de Famílias, exigiria muita dedicação.

A Liga de Famílias não está apenas aqui, mas também em outras regiões: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais. Foi necessário viajar bastante, passar por muitos aeroportos e estradas, para acompanhar a vida dessas famílias. E posso dizer: é um trabalho muito bonito e muito gratificante. Trabalhar com famílias é uma das missões mais belas que existem.

Tudo isso gera em mim um profundo sentimento de gratidão, sem desconsiderar as outras atividades que também exerci. Continuarei acompanhando algumas delas, como o Centro de Empresários e Executivos, mas, de tempos em tempos, precisarei ir ao Rio Grande do Sul, que também é casa.

Durante este ano, organizei uma equipe que dará continuidade aos trabalhos aqui, mas seguimos unidos, em comunhão. Quero agradecer a todos vocês pelo apoio, pela presença e pela caminhada conjunta. O ministério do padre não é algo isolado; ele só faz sentido inserido na comunidade, especialmente nas comunidades do nosso movimento, em torno dos nossos santuários.

Agradeço a Deus por essa proximidade, essa amizade e esse carinho que sempre recebi aqui. Seguimos caminhando juntos, certos de que Deus ainda precisa muito de nós como instrumentos. A Páscoa começou de forma gloriosa na pessoa de Jesus, e esse mistério continua a se revelar na nossa vida.

Muito obrigado.
Deus os abençoe e sigamos em frente na caminhada.