Missa de Natal – 25 de dezembro de 2025 Santuário Sião do Jaraguá
Celebrante: Pe. Gustavo Hanna Crespo
Na celebração do Natal do Senhor, o Pe. Gustavo Hanna Crespo destacou que Jesus, ao se encarnar, veio trazer ao mundo a verdadeira paz: não apenas a ausência de conflitos, mas a paz que nasce do coração reconciliado com Deus. A partir do Evangelho do dia, o prólogo de São João, a homilia convidou os fiéis a silenciar as “guerras cotidianas”, cultivar a paz interior e tornar-se testemunhas da Luz que é Cristo, refletindo seu amor e sua presença no mundo.
Na Missa do dia de Natal, celebrada em 25 de dezembro de 2025, o Pe. Gustavo Hanna Crespo iniciou sua homilia fazendo uma observação curiosa e profunda: às vezes, seria até mais fácil que o Evangelho proclamado na noite de Natal fosse o do dia e o do dia fosse o da noite. Isso porque o Evangelho de João, proclamado no dia 25, exige de nós uma escuta mais atenta, mais profunda, menos “arrastada” pela familiaridade das narrativas que já conhecemos tão bem.
A primeira leitura do dia traz um tema central da missão de Jesus: a paz. A partir disso, o padre provocou a assembleia com uma pergunta simples e direta: quem aqui gostaria de ter paz? Certamente, todos desejam a paz. E ele recordou: é melhor ter paz do que ter razão. Jesus é aquele que veio trazer a paz, é o portador da Boa-Nova, aquele que caminha pelas montanhas anunciando a reconciliação.
Mas essa paz não é apenas um desejo distante ou um conceito abstrato. Somos chamados a testemunhá-la concretamente. O padre questionou como, aqui no Jaraguá, podemos ser testemunhas da paz. Se desejamos uma verdadeira cultura da paz, precisamos começar por nós mesmos. Não existe cultura de paz sem paz interior. E essa paz só se constrói quando estamos realmente vinculados ao Príncipe da Paz.
Muitas vezes, o que nos tira a paz não são as grandes guerras do mundo, mas as pequenas guerras cotidianas: conflitos familiares, tensões nas celebrações, palavras duras ditas em momentos que deveriam ser de encontro. Quantas famílias passam pelo Natal carregando mágoas, discussões e rupturas? Se queremos a paz, precisamos abraçar aquilo – e Aquele – que realmente nos traz a paz.
A carta aos Hebreus nos recorda que Deus continua falando. O Deus que se encarnou não ficou preso ao passado: Ele segue presente, segue se comunicando, segue agindo na nossa história. Para isso, nossos ouvidos precisam aprender a silenciar os ruídos das guerras e a entrar no silêncio da paz, onde podemos encontrar o Deus que nos ama, que nos sustenta e que nos fez seus filhos por meio de uma grande Aliança.
O Deus que se encarnou é um Deus que se aproxima, que não tem medo da condição humana. Ao assumir plenamente a nossa humanidade, Ele nos eleva à dignidade de filhos. Como ensina a tradição da Igreja: aquilo que não foi assumido não pode ser redimido. Por isso, Jesus assume 100% da nossa humanidade para nos salvar por inteiro.
O Evangelho do dia, o prólogo de São João, nos leva ainda mais fundo no mistério do Natal:
“No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus.”
Aquele que nasceu em Belém já existia desde sempre. Ele estava junto de Deus e era Deus. E, mesmo assim, quis rebaixar-se, fazer-se carne, para elevar a nossa condição humana.
João Batista, como recorda o Evangelho, não era a luz, mas veio para testemunhar a luz. Assim também nós: somos chamados a testemunhar essa luz no mundo. O verdadeiro sentido do Natal é descobrir que somos, de fato, filhos e filhas de Deus, chamados a viver na paz, na vida e na verdade.
Não precisamos viver brigando ou competindo. Somos convidados a ser espelhos da luz de Cristo, refletindo o seu amor, a sua alegria e a graça de pertencer a Ele. Que este Natal renove em nós a certeza de que Deus permanece conosco, caminha conosco e nos envia como instrumentos de paz, para a glória do Pai.
Leituras da Missa do Dia – Natal do Senhor (25 de dezembro)
- 1ª Leitura: Isaías 52,7-10
- Salmo Responsorial: Salmo 97(98),1.2-3ab.3cd-4.5-6
- 2ª Leitura: Hebreus 1,1-6
- Evangelho: João 1,1-18

