A solenidade de Nossa Senhora Aparecida, foi celebrada pelo Pe Gustavo Hanna Crespo e estava presente o diácono Lucas Botássio neste dia 12 de outubro de 2026. Padre Gustavo convida os fiéis a reconhecerem o olhar materno de Maria, sua intercessão nas dificuldades e sua missão de nos conduzir a Jesus, fonte da verdadeira vida e salvação.

A reflexão começou com a figura de Ester, que intercede por seu povo diante do rei, suplicando por vida e salvação. O gesto de benevolência do rei, que acolhe aquele que se aproxima, ajuda-nos a compreender o olhar de amor que também encontramos em Maria. Desde a infância, aprendemos a recorrer à Mãe de Jesus, depositando em suas mãos nossos pedidos, nossas preocupações e nossas esperanças.

Maria é a grande intercessora da Igreja. Assim como Ester se coloca diante do rei em favor de seu povo, Nossa Senhora intercede por nós, especialmente nos momentos de necessidade. Entretanto, sua missão não termina na intercessão: ela sempre nos aponta o caminho que conduz àquele que verdadeiramente nos salva, Jesus Cristo, fonte da vida plena.

Maria, a mulher vestida de sol

Ao recordar a passagem do Apocalipse que apresenta a mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas, Padre Gustavo destacou a dimensão da esperança cristã. A imagem aponta para a vitória definitiva de Deus, quando o pecado e a morte já não terão a última palavra.

Essa mulher nos recorda Maria, presente no mistério da salvação e sinal da esperança à qual todos somos chamados. Mesmo quando atravessamos períodos de sofrimento, perseguição e incerteza, somos convidados a confiar na vitória de Cristo e na promessa da vida eterna.

O sacerdote relacionou essa mensagem à própria história de Nossa Senhora Aparecida. Encontrada nas águas do Rio Paraíba do Sul, a pequena imagem tornou-se sinal da presença materna de Maria junto ao povo brasileiro. A imagem resgatada das águas barrentas nos recorda que Deus pode fazer surgir sinais de esperança justamente em meio às turbulências da vida.

Ao explicar a simbologia do Santuário Nacional, Padre Gustavo recordou a representação das águas no piso, que remete ao rio de onde a imagem foi retirada. A imagem nos ajuda a compreender que, mesmo quando as águas de nossa existência parecem agitadas e turvas, Maria nos auxilia a encontrar o caminho da confiança e da salvação.

O sacerdote também chamou a atenção para os “pescadores” que Deus coloca em nosso caminho: pessoas concretas que testemunham o Evangelho, estendem a mão e nos ajudam a sair das águas difíceis. Da mesma forma, somos chamados a ser instrumentos de Deus na vida dos outros, oferecendo apoio, esperança e amor a quem atravessa momentos de sofrimento.

“Eles não têm mais vinho”: Maria percebe nossas necessidades

A reflexão conduziu os fiéis ao Evangelho das Bodas de Caná, no qual Maria percebe que o vinho está acabando e apresenta a necessidade a Jesus: “Eles não têm mais vinho”.

Padre Gustavo destacou um detalhe significativo: Maria está presente na cozinha, lugar que pressupõe intimidade e proximidade. Sua presença revela que ela conhece a realidade daquele povo e percebe aquilo que falta, mesmo antes que a situação se torne ainda mais difícil.

Também em nossa vida, Maria conhece nossas necessidades e apresenta a Jesus aquilo que nos falta. O vinho, na passagem evangélica, representa a alegria da festa e remete à aliança entre Deus e seu povo. Quando o vinho acaba, surge o sinal de que algo precisa ser restaurado. Maria, atenta e confiante, leva essa necessidade ao Filho.

Sua resposta aos serventes permanece como orientação para todos os cristãos: *“Fazei tudo o que Ele vos disser”* (Jo 2,5).

Essa é a missão de Maria: não nos reter em si mesma, mas conduzir-nos a Jesus. Ela nos ensina a escutar a Palavra, confiar no Senhor e permitir que Ele transforme nossas faltas em novas possibilidades de vida.

Maria, Mãe da Igreja e da humanidade

O sacerdote também estabeleceu uma relação entre a mulher apresentada no livro do Gênesis, a mulher vestida de sol do Apocalipse e a mulher presente nas Bodas de Caná. Essas imagens bíblicas ajudam a contemplar o lugar de Maria no plano de Deus.

No Evangelho de João, é aos pés da cruz que Jesus entrega sua Mãe ao discípulo amado e o discípulo a ela, dizendo: “Mulher, eis aí o teu filho” e “Eis aí tua mãe” (Jo 19,26-27). Nesse momento, a maternidade de Maria ganha uma dimensão universal: ela é acolhida como Mãe da Igreja e da humanidade.

Maria continua exercendo essa missão materna, acolhendo seus filhos e intercedendo por eles, para que encontrem em Cristo a vida em plenitude. Por isso, recorrer à sua proteção é também renovar a confiança naquele que ela nos apresenta: seu Filho Jesus.

A esperança de que o vinho bom ainda está por vir

Ao concluir a homilia, Padre Gustavo convidou os fiéis a reconhecerem a presença de Deus nos pequenos sinais do caminho e a manterem viva a esperança, mesmo quando a vida parece atravessar momentos de escassez.

Assim como nas Bodas de Caná Jesus transforma a água em vinho, também pode renovar nossa alegria, fortalecer nosso amor e restaurar nossa esperança. O vinho bom, que aparece ao final da festa, torna-se imagem da confiança de que Deus continua agindo em nossa história, conduzindo-nos a uma vida mais plena.

Na solenidade da Padroeira do Brasil, somos convidados a olhar para Nossa Senhora Aparecida e recordar quantas vezes experimentamos sua proteção e seu olhar de misericórdia. Como filhos, podemos recorrer a ela com simplicidade e confiança, apresentando nossas necessidades e as de nossas famílias.

Que Maria, a mulher vestida de sol, interceda por nós nos momentos de turbulência, nos ajude a reconhecer os sinais da graça e nos conduza sempre a Jesus. Que, por sua intercessão, Cristo encha novamente as talhas de nossa vida com o vinho da alegria, do amor, da esperança e da salvação.

Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, rogai por nós!

No final da missa as crianças foram abençoadas e receberam doces da equipe de acolhida do Santuário.