A Santa Missa no Santuário Sião Jaraguá foi celebrada pelo reitor, Pe. Gustavo Hanna Crespo, e concelebrada pelo Pe. Gabriel Oberle.

Em sua homilia, o celebrante propôs uma reflexão profunda sobre a força da voz em nossa vida:

Se fechamos os olhos e pensamos em alguém com autoridade sobre nós — um chefe, nossos pais, ou até mesmo o Papa Francisco — somos capazes de lembrar da sua voz. A voz marca, chama, orienta. Quando alguém nos chama pelo nome, especialmente nossos pais, isso nos toca profundamente. E essa voz, muitas vezes, nos indica um caminho, uma direção a seguir.

Às vezes, essa lembrança é tão forte que até nos desperta à noite, especialmente quando sabemos que algo não foi feito como deveria. A voz tem esse poder de nos mover interiormente.

A partir disso, o padre conduziu a reflexão ao Evangelho do dia, que apresenta Jesus como o Bom Pastor. Assim como as ovelhas reconhecem a voz do pastor e o seguem, também nós somos chamados a escutar a voz de Cristo. Escutar sua voz é encontrar o caminho, é viver em comunhão, é fazer parte do rebanho de Deus.

O Bom Pastor conduz à vida, à verdade e à comunhão. Diferente do ladrão — que “vem para roubar, matar e destruir” — Jesus vem para dar a vida. Ele não veio para destruir, mas para construir: construir um Reino que não terá fim, uma família unida em Deus.

Se, de certo modo, podemos dizer que Deus “rouba” algo, é o nosso coração — não para tirar, mas para transformar, para nos conduzir à vida plena. Ele doa sua própria vida para resgatar a nossa.

Dessa forma, ao contemplarmos o Bom Pastor, somos chamados também a assumir três atitudes em nossa vida:

Doar, como quem entrega a própria vida;
Cuidar, sendo guardiões e defensores da vida;
Construir, cooperando com Deus na edificação do seu Reino.

Essas atitudes se concretizam no cotidiano, quando nos tornamos sinais de esperança para os outros.

O Evangelho também nos mostra que Jesus utiliza imagens simples para ser compreendido. Primeiro, Ele fala do pastor; depois, percebendo a dificuldade dos discípulos, afirma: “Eu sou a porta”. Quem passa por Ele encontra a vida eterna. A fé cristã, embora seja um mistério que ultrapassa nosso entendimento, é também algo que pode e deve ser compreendido para ser amado.

Escutar a voz do Pastor é escutar a vontade de Deus e viver em comunidade. É caminhar juntos, como um só rebanho sob um só Pastor.

O padre também recordou que a porta que Jesus abre é a cruz: sua paixão, morte e ressurreição. É por esse caminho que somos chamados a passar.

Neste 4º Domingo da Páscoa, conhecido como o Domingo do Bom Pastor, a Igreja também nos convida a rezar pelas vocações, especialmente sacerdotais. Somos chamados a pedir ao Senhor que suscite novas vocações e a não ter medo de que elas surjam também em nossas próprias famílias.

Uma vocação nasce na vida concreta, no seio da família. Por isso, toda a comunidade é responsável por rezar e favorecer o surgimento de vocações.

Por fim, o padre destacou a alegria de ver cada pessoa encontrando sua vocação — seja matrimonial, religiosa ou sacerdotal — pois em cada uma delas se constrói o Reino de Deus e se serve à vida.

Que possamos, como discípulos, escutar a voz do Bom Pastor e seguir por um caminho de vida plena.

*Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.*