Neste domingo, 15 de março de 2026, foi celebrada no Santuário Sião Jaraguá a Santa Missa do 4º Domingo da Quaresma. A celebração foi presidida pelo reitor do santuário, Pe. Gustavo Hanna Crespo, e concelebrada pelos padres Pe. Vandemir Meister e Pe. José Fernando Bonini.

Também estavam presentes os três noviços da comunidade.

Em sua homilia, o padre refletiu sobre as leituras do dia e destacou como elas falam de realidades muito humanas e próximas da vida de todos.


Homilia

“Leituras e eventos complicados da liturgia de hoje, não é mesmo? A primeira leitura do dia de hoje, que é do Primeiro Livro de Samuel, nos leva a uma realidade muito humana, muito próxima do que muitas vezes acontece na nossa casa.

Quem aqui já celebrou uma festa em casa? Quem já convidou pessoas para uma festa? A gente convida e espera que todos venham. Mas muitas vezes acontece de alguém avisar antes que não poderá ir, ou então, de última hora, aparece um imprevisto e a pessoa não vem.

E a gente já preparou tudo: a comida, a mesa, os lugares. A mesa era para dez pessoas e acabam vindo oito. Aqueles dois lugares ficam vazios.

O que acontece na primeira leitura é justamente essa experiência de perceber que falta alguém na mesa. Muitas vezes temos a tendência de simplesmente seguir em frente, ignorar o vazio. Mas a leitura nos convida a parar um pouco e esperar para que todos possam estar presentes.

A nossa vida, meus irmãos e irmãs, é celebrada domingo após domingo em torno da mesa. Somos convidados para a mesa da Palavra e a mesa do Pão. A mesa da nossa fé é sempre ampla, sempre tem lugar.

E esse é o grande desafio: fazer com que essa mesa esteja cada vez mais preenchida por aqueles que são chamados a ser filhos de Deus, por todos nós que fomos batizados.

A diferença da nossa festa é que, se chegar mais alguém, a gente não se incomoda. Pelo contrário, ficamos felizes, porque mais um irmão ou irmã pode partilhar da mesma mesa.

Na leitura, vemos que foram chamados os filhos para que um deles fosse ungido rei. E ali aparece aquele que ninguém esperava: Davi.

Isso nos faz lembrar daquele que é o grande pastor do rebanho, Jesus Cristo, que veio reunir o povo de Deus.

Essa é a primeira realidade: é Deus quem escolhe. Mas, ao mesmo tempo, essa escolha pede um sim da nossa parte. Se esse sim não acontece, o chamado fica apenas como um convite escutado.

Assim como aconteceu com Davi: ele foi escolhido, mas também aceitou a missão. Ele aceitou o desafio de conduzir o povo. E Jesus também, assumindo a nossa humanidade, aceita ser aquele que reúne todos em um só povo e um só pastor.

E nós somos chamados, dia após dia, a reconhecer e responder a essa voz.

Hoje todos nós temos um celular. Muitas vezes queremos ver provas, vídeos, imagens. Queremos sinais visíveis para acreditar. Queremos algo extraordinário para dizer que Deus está agindo.

Mas muitas vezes a voz de Deus vem de forma simples: através de uma pessoa, de um acontecimento, de um pequeno sinal.

Quando buscamos apenas sinais extraordinários, acabamos ficando fracos na fé, porque o caminho de Deus é simples. É o caminho de escutar sua voz, caminhar com Ele e perceber sua presença no cotidiano.

Às vezes exageramos nas imagens, nas redes sociais, nas telas. Ficamos horas vendo coisas, passando vídeos, e acabamos perdendo a sensibilidade para perceber os pequenos sinais de Deus na vida.

Dar um sim é sempre assumir um compromisso. E isso exige maturidade.

Quando dizemos sim a algo na vida, assumimos uma responsabilidade. E os nossos sins vão moldando aquilo que nos tornamos.

O Evangelho de hoje também nos mostra algo muito simples. No Evangelho de João, Jesus cura um homem que era cego de nascença.

Ele faz lama, passa nos olhos do homem e diz para ele ir lavar-se. Não acontece nada extraordinário aos olhos humanos. É um gesto simples.

Mas é justamente nessa simplicidade que Deus age.

Muitas vezes as pessoas têm dificuldade de acreditar porque esperam algo grandioso. Porém, as maiores verdades da fé são simples.

Pensemos no batismo: água derramada sobre a cabeça e as palavras “Eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. E ali acontece algo enorme: a pessoa se torna filho ou filha de Deus.

O homem curado no Evangelho também teve que fazer uma escolha. Ele foi questionado, interrogado, pressionado. Mas permaneceu firme no testemunho daquilo que havia vivido.

Chega um momento na vida em que precisamos assumir a nossa fé e falar por nós mesmos.

Ser discípulo é testemunhar que Jesus transformou a nossa vida.

E aqui no santuário, quando falamos de dizer sim, é impossível não olhar para Maria, aquela que escutou, acreditou e permaneceu fiel até o fim.

Assim como Davi recebeu uma missão, e assim como Jesus cumpriu a sua missão, também cada um de nós recebe uma missão na própria vida.

Confiando na providência de Deus, somos chamados a caminhar neste mundo como construtores do bem, da paz, da justiça e da bondade.

Não há outro caminho senão esse: viver como filhos e filhas de Deus, confiando na vontade do Senhor.”

No final da missa um grupo de 17 casais participaram este fim de semana do ENCONTRO DO SIM realizado pela Liga das Famílias do santuário e entregaram seus envelopes com a resposta se continuam para formar um grupo.


Leituras da Missa

4º Domingo da Quaresma – Ano A

Primeira Leitura: 1Sm 16,1b.6-7.10-13a
Deus escolhe Davi e recorda que o Senhor não vê como o homem vê: o homem olha as aparências, mas Deus olha o coração.

Salmo Responsorial: Sl 22(23)
“O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma.”

Segunda Leitura: Ef 5,8-14
“Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz.”

Evangelho: Jo 9,1-41
Jesus cura o cego de nascença e revela que Ele é a luz que ilumina o mundo.

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Vídeo: Audrey Marcutis

Texto retirado da homilia do dia por Sueli Vilarinho