No dia 24 de maio de 2026, Solenidade de Pentecostes, a Santa Missa foi celebrada no Santuário Sião Jaraguá pelo Pe. Gustavo Hanna Crespo, com concelebração do Pe. Gabriel Oberle. Durante a celebração, também foi realizado solenemente o apagamento do Círio Pascal, encerrando o tempo pascal vivido pela Igreja.

Em sua homilia, o padre disse:
“Queridos irmãos, quem se lembra da Ascensão? Era a solenidade em que Jesus subia aos céus e nos deixava essa promessa de que Ele ia permanecer conosco todos os dias até o final dos tempos. E hoje é o dia em que nós voltamos a olhar para o céu, não apenas para essa promessa, mas para o céu que desce definitivamente sobre nós, homens e mulheres.
Hoje, em Pentecostes, não é apenas Deus que visita o seu povo, mas é Deus que decide permanecer conosco. Essa promessa de ‘Eu estarei convosco todos os dias até o fim dos tempos’ se faz presente também na forma fortalecida do Espírito Santo, esse Deus que permanece em nós.
E é de uma forma tão inovadora que os discípulos também não esperavam. Eles não sabiam como isso ia acontecer. E hoje, na solenidade de Pentecostes, se cumpre essa promessa de Deus permanecer conosco.
O Evangelho de hoje nos mostra essa passagem de Jesus soprando o Espírito Santo sobre cada um: ‘Recebei o Espírito Santo’. Esse sopro que Jesus faz sobre os discípulos é o mesmo sopro da criação. Se a gente conhece o livro do Gênesis, Deus sopra sobre a sua criação e dá vida ao homem. Agora é Cristo quem recria a humanidade pelo Espírito. Pentecostes é essa força da nova criação. Esse sopro do Espírito nos dá vida.
No Evangelho vemos que os discípulos estavam com medo e por isso estavam fechados. E a gente pode pensar na nossa vida: quantas vezes nós também nos fechamos por causa do medo? Quantas vezes fechamos a nossa vida para a verdadeira vida por causa das dificuldades? Mas quando o Espírito desce sobre eles, tudo se transforma em coragem. As portas se abrem. O isolamento dos discípulos reunidos numa sala se torna comunhão. A experiência de querer estar com os demais nasce na reunião do Espírito.
O Espírito Santo é vida, é o que dá a vida. Sem o Espírito nossa vida fica sem força. Ele não é apenas aquele que consola, como muitas vezes pensamos, mas é aquele que gera vida. Ele não apenas visita o seu povo, mas permanece. Ele não apenas aquece o nosso coração, mas transforma o nosso coração.
A primeira leitura de hoje falou das diferentes formas, línguas e culturas, mas todos compreendendo uma mesma mensagem. A mensagem do Reino de Deus é única. A mensagem do Espírito é única. O Espírito não elimina as diferenças, e eu gostaria de destacar algo aqui.
Quando falamos das diferenças e pensamos que para haver unidade o outro precisa pensar da mesma forma que eu, nós estamos errados. O Espírito não destrói as diferenças, mas cria harmonia entre as diferenças. Essa é a grande graça, o grande milagre de Pentecostes. O milagre de Pentecostes não é a uniformidade, mas é a unidade.
Pensemos nos diversos carismas da Igreja, nos diversos movimentos e expressões da Igreja. O Espírito suscita diferentes carismas em tempos diferentes, mas gera unidade. Por isso a Igreja sempre nasceu missionária e universal, unida numa mesma missão.
Hoje vemos o mundo tão marcado por divisões, guerras e diferenças. Pentecostes segue nos recordando que o Espírito Santo continua trabalhando para unir aquilo que o pecado separou. Nesta semana de oração pela unidade dos cristãos, o Papa Leão recordou algo muito atual: nós fomos chamados a ser testemunhas da unidade e não testemunhas da divisão. Toda divisão acaba obscurecendo o rosto da Igreja.
Às vezes pensamos que unidade significa pensar igual ou pertencer ao mesmo grupo, mas a unidade cristã nasce da presença do Espírito Santo em cada um de nós. Fomos batizados no Espírito e é isso que nos une numa mesma missão: testemunhar que Jesus é o Senhor da nossa vida e da nossa história.
A unidade é muito mais profunda do que simplesmente dar as mãos e caminhar juntos. A unidade é reconhecer que o outro também é amado por Deus e que, por meio do outro, o Espírito Santo também fala na minha vida.
Sem o Espírito Santo, a Igreja seria apenas uma instituição humana. A nossa fé seria apenas um conjunto de palavras repetidas. Sem o Espírito, a missão seria impossível. Porque é Ele quem dá vida. É Ele quem faz a Igreja continuar anunciando Jesus.
O Espírito Santo é a presença constante de Deus em nosso meio. Jesus disse: ‘Eu não vos deixarei órfãos’. E Pentecostes é justamente o cumprimento dessa promessa. O Espírito Santo continua sustentando a Igreja, iluminando as nossas consciências, conduzindo as pessoas à santidade, levantando os caídos, fortalecendo os fracos e conduzindo a história.
Somos chamados a estar com os ouvidos abertos ao Espírito Santo, permitindo que Ele continue construindo a história conosco. O Espírito sopra renovando todas as coisas. Pentecostes nos faz perceber também que a fé é vivida em comunidade. É o Espírito que nos reúne, é Ele que nos faz Igreja.
Somos chamados à unidade, ao compromisso com a justiça e ao compromisso com a paz. Como o Fundador dizia sobre aprofundar a Aliança com a Santíssima Trindade, renovamos também a nossa relação com o Espírito Santo. Dizer que o Espírito é Deus é renovar a aliança que foi feita no nosso batismo.
Que nós possamos viver dessa aliança com Deus, dessa aliança com o Espírito que vivifica a nossa vida, transforma a nossa vida e dá novo ânimo para a nossa caminhada.
Eu convido cada um de nós a pedir novamente que o Espírito Santo venha sobre nós, cure as nossas divisões, renove a nossa esperança e faça da Igreja um verdadeiro sinal da presença viva de Deus.
E que nós, como os apóstolos, possamos não mais estar fechados pelo medo, mas possamos nos sentir enviados deste santuário para testemunhar que Cristo vive, reina e permanece no meio de nós.”
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Texto retirado da homilia do dia
foto: Paula de Araujo

