Solenidade da Santíssima Trindade e 57 anos do Santuário Sião Jaraguá

Neste domingo, 31 de maio de 2026, Solenidade da Santíssima Trindade, a Santa Missa foi celebrada no Santuário Sião Jaraguá pelo reitor, Padre Gustavo Hanna Crespo.

Em sua homilia, o sacerdote refletiu sobre o Mistério da Santíssima Trindade, o chamado à comunhão e à paz e o significado do 31 de Maio para a espiritualidade de Schoenstatt.

“Eu estava tentando não me enrolar com o tema do mistério da Trindade. Mas mesmo descrevendo, a gente acaba se enrolando. É um mistério tão grande que é difícil dizer que agora nos pertence. Tudo aquilo que é um mistério, nós nos aproximamos, nos assombramos e somos chamados a acreditar. Muitas vezes sem compreender muito bem, mas entrar nas profundezas desse mistério é como quando alguém encontra um lago muito bonito. A gente sabe que existe profundidade naquele lago. Alguns, os mais corajosos, mergulham; outros ficam apenas contemplando.

O Mistério da Santíssima Trindade

O mistério da Trindade nos convida a estar verdadeiramente imersos nesse mistério para poder amá-lo e compreender, pela fé, aquilo que professamos: um único Deus em três Pessoas, cada uma com sua missão. Nós professamos a fé em um só Deus verdadeiro que se manifesta como Pai, Filho e Espírito Santo.

Muitas vezes nos perguntamos: como sabemos que é Pai, que é Filho e que é Espírito Santo, se é um só Deus? É uma pergunta na qual frequentemente nos enrolamos. Mas quando percebemos que existe uma comunhão perfeita e uma comunidade perfeita de amor, começamos a compreender melhor. Nós conhecemos as Pessoas divinas por suas relações.

Na nossa vida, sabemos que alguém é filho porque existe uma relação com seu pai. Assim também vemos o Filho chamando Deus de Pai e prometendo o Espírito Santo: ‘Eu vos enviarei o Espírito Defensor’. É por meio dessas relações que descobrimos as três Pessoas em um só Deus.

Além das relações, nós as conhecemos pelas suas missões. Em toda a nossa fé, quando Deus atua, é a Trindade que atua. Pensemos na fórmula do Batismo. Não dizemos apenas: ‘Eu te batizo em nome de Jesus’, ou ‘em nome do Pai’, ou ‘em nome do Espírito Santo’. Dizemos: ‘Eu te batizo em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo’. Porque toda a Trindade está presente.

No livro do Gênesis encontramos a expressão: ‘Façamos o homem à nossa imagem e semelhança’. Deus está falando com quem? Já percebemos aí a presença da Trindade. Deus cria, mas a criação é obra da Trindade. O Pai cria, o Filho salva e o Espírito Santo santifica. São missões distintas, mas inseparáveis.

No Evangelho de hoje, do capítulo 3 de São João, encontramos a missão do Filho: ‘Deus não enviou seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele’. Jesus, concebido por obra e graça do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria, vem para salvar. Essa é a sua missão. Essa é a vontade de Deus: resgatar cada homem e cada mulher para o plano original pensado desde toda a eternidade, para que vivamos em comunhão com Ele.

São Paulo dirá que é o Espírito quem vivifica a Igreja. É Ele quem move a Igreja e continua atualizando o mistério de Cristo em nosso tempo. O Pai cria, o Filho salva e o Espírito santifica. Essas são as três missões fundamentais.

O chamado à comunhão e à paz

O Evangelho nos mostra que a missão fundamental de Jesus é salvar. E acreditar nisso é o primeiro passo de uma fé madura: acreditar que Jesus veio para nos salvar e caminhar com Ele.

Na primeira leitura, Moisés reconhece: ‘Senhor, mesmo sendo este povo de cabeça dura, eu sei que Tu és um Deus amoroso, bondoso, misericordioso e paciente’. É um Deus que caminha conosco e que deseja renovar constantemente sua aliança.

Já na segunda leitura, São Paulo faz alguns pedidos ao povo. O primeiro deles é: ‘Alegrai-vos’. A alegria é um dos frutos da presença de Deus. Depois, ele pede que trabalhemos pelo nosso aperfeiçoamento. Na nossa espiritualidade, poderíamos dizer: autoeducar para viver santamente o cotidiano.

Por fim, São Paulo pede que cultivemos a concórdia e vivamos em paz. O exemplo perfeito da comunhão é a própria Trindade. Podemos pensar que isso está muito distante de nós, mas pelo Batismo fomos inseridos nessa família divina. Pertencemos a essa comunhão.

Não existe comunhão sem concórdia. Concórdia significa ter o coração unido ao coração do outro. E viver em paz é fruto dessa comunhão. Somos chamados a lutar pela concórdia e pela paz.

Hoje celebramos também os 57 anos deste Santuário. E podemos relacionar isso com a palavra concórdia: um só coração. O ideal deste Santuário é ser um só coração no coração do Pai. Nosso desejo é que o nosso coração pulse em sintonia com o coração da Trindade.

O fundador de Schoenstatt dizia que a Aliança de Amor com Maria deve conduzir a uma profundidade tal que possamos selar uma aliança com a própria Trindade. Ser um só coração no coração da Trindade é escutar a vontade de Deus e viver segundo ela.

Maria realizou isso de forma perfeita. Ela colocou toda a sua vida à disposição de Deus. Ela levou o próprio Verbo Encarnado a Isabel e levou também a alegria. Por isso, olhando para Maria neste final do mês de maio, somos chamados a aprender dela a disponibilidade total para que a obra da Trindade aconteça em nossa vida.

O significado do 31 de Maio para a espiritualidade de Schoenstatt

Agora chegamos ao terceiro tema. O dia 31 de maio de 1949 é uma data muito importante para a nossa espiritualidade. Nós somos marcados por acontecimentos históricos porque acreditamos que Deus conduz a nossa história.

Temos três grandes marcos: 18 de outubro de 1914, quando foi selada a Aliança de Amor; 20 de janeiro de 1942, quando o fundador assumiu com confiança filial sua ida ao campo de concentração; e 31 de maio de 1949.

O 31 de Maio representa um aprofundamento da missão iniciada em 1914. Diante dos questionamentos feitos à pedagogia de Schoenstatt, o fundador respondeu reafirmando a missão de lutar pela verdade e de viver plenamente a Aliança de Amor.

Para nós, o 31 de Maio recorda que queremos viver o nosso Batismo a partir da espiritualidade da Aliança de Amor. Dizemos sim a este carisma e a esta missão. Queremos transformar homens novos em uma nova comunidade. Queremos unir o natural e o sobrenatural, fazendo com que Deus esteja presente na vida das pessoas.

Celebrando este 31 de Maio, renovamos nosso desejo de que Deus não esteja separado da vida humana, mas profundamente presente nela. Queremos viver em comunhão com Deus, em concórdia com os irmãos e na paz do Senhor.

Por isso, peçamos ao Senhor, neste dia da Santíssima Trindade, que nos ensine a viver cada vez mais em comunhão e a sermos um só coração no coração do Pai.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.”